Ex-líder de Taiwan denuncia nos Estados Unidos crescente pressão chinesa
A ex-líder de Taiwan Tsai Ing-wen denunciou na quarta-feira, nos Estados Unidos, a crescente pressão militar da China sobre a ilha, que apresentou como um "parceiro indispensável" para as cadeias globais de abastecimento e a segurança no Indo-Pacífico.
Tsai chegou na segunda-feira a São Francisco para uma visita de quase uma semana, a primeira aos Estados Unidos desde que deixou a presidência, em maio de 2024.
Num discurso na abertura da Conferência de Tecnologia e Segurança Nacional 2026 da Stanford DEFCON, Tsai afirmou que Taiwan enfrenta diariamente "ciberataques, guerra cognitiva, manipulação da informação, coerção económica e ações destinadas a danificar infraestruturas críticas".
"Os aviões e navios militares da China também operam frequentemente em torno de Taiwan, e as atividades da Guarda Costeira e de outras forças nas águas circundantes são cada vez mais frequentes", afirmou, segundo a transcrição do discurso divulgada pela agência de notícias taiwanesa CNA.
Estas atividades procuram deliberadamente evitar uma escalada para um "conflito aberto", enquadrando-se nas chamadas operações de "zona cinzenta", pelo que Taiwan não pode preparar-se apenas para um "conflito militar em grande escala", acrescentou.
Tsai lembrou que a ilha não ocupa apenas uma posição estratégica, mas é também um "ator muito importante" na indústria tecnológica mundial, o que lhe confere um "papel dificilmente substituível" tanto no plano económico como no da segurança.
"Um Taiwan seguro e resiliente contribui para manter a estabilidade no Indo-Pacífico. A capacidade tecnológica e industrial de Taiwan também pode tornar as cadeias globais de abastecimento mais seguras e fiáveis. Taiwan beneficiou durante muito tempo do sistema internacional. Hoje temos a capacidade, e também a responsabilidade, de contribuir mais para esse sistema", afirmou.
Tsai, uma das principais figuras do Partido Democrático Progressista (DPP), atualmente no poder, liderou Taiwan entre 2016 e 2024, num período marcado pelo agravamento das tensões com Pequim.
A China considera Taiwan parte do seu território e não exclui o recurso à força para concretizar a reunificação.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu em agosto de 2022, quando a então presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, visitou Taiwan, levando Pequim a realizar exercícios militares de grande escala em torno da ilha.
Tsai aproveitou a atual deslocação aos Estados Unidos para se reunir com Pelosi, a quem agradeceu o "apoio de longa data" que a antiga líder do Congresso e outros legisladores norte-americanos têm dado a Taiwan.
A visita ocorre ainda pouco depois da cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping, durante a qual o líder chinês instou Washington a "opor-se" à independência de Taiwan.